Aquele momento em que você está caminhando e de repente os pés não desgrudam do chão chama-se bloqueio da marcha. Muitas vezes, quanto mais você força para dar o passo, menos os pés se movem — então, se a pessoa se aflige e se apressa, é fácil perder o equilíbrio e cair.

Por que os passos param tão de repente
Caminhar é produzido pelo núcleo pedunculopontino, no tronco encefálico, trabalhando junto com o circuito dos gânglios da base. A explicação é que, quando a dopamina cai, o equilíbrio entre esses circuitos se rompe e a ordem do «próximo passo» momentaneamente não chega. Conforme a doença avança, outras regiões do cérebro que vinham compensando a marcha — o córtex pré-motor, entre outras — também são afetadas, então a compensação inconsciente com que a pessoa vinha se virando enfraquece e o bloqueio fica mais frequente.
Quando costuma acontecer
Aparece sobretudo em situações concretas.
- Ao passar pelo batente de uma porta ou atravessar um espaço estreito
- Ao mudar de direção ou dar meia-volta
- Na hora de dar o primeiro passo
- Quando há coisas no chão, ou muita gente para desviar
- Ao entrar ou sair de um elevador
Também se sabe que acontece mais quando a pessoa está com pressa, quando algo a assusta, ou quando ela sente estresse ou ansiedade. Ou seja, o estado emocional naquele momento pesa tanto quanto o físico. Além disso, tende a acontecer mais durante os períodos «off», quando o medicamento está perdendo efeito, então anotar quando você trava dá à sua equipe de saúde material para ajustar os horários das doses.
Formas de voltar a andar na hora
- Conte em voz alta, ou caminhe como se marchasse. Contar «um, dois» em voz alta enquanto levanta bem as pernas costuma colocar os passos de novo em movimento.
- Cantarole uma música e caminhe no compasso dela. Um som com ritmo puxa o passo seguinte.
- Escolha um ponto do chão e pise nele como se fosse um alvo. Levantar bem o pé, como se passasse por cima de uma barra imaginária, também ajuda.
- Mude de direção. Se para a frente não funciona, dê um passo curto para trás ou um para o lado, e tente de novo.
- Peça ajuda a quem estiver com você. Alguém contar «um, dois», ou segurar a sua mão e caminhar ao seu lado, muitas vezes basta para quebrar o bloqueio.
Os aplicativos de celular e os dispositivos vestíveis também ajudam
Existem cada vez mais dispositivos feitos para reduzir o bloqueio da marcha: aplicativos de celular que reproduzem um ritmo constante de som ou vibração enquanto se caminha, e sensores de palmilha que vão dentro do calçado. Alguns dispositivos analisam a marcha em tempo real e enviam automaticamente um sinal rítmico quando detectam que o bloqueio está prestes a começar. Se você se interessar, pode perguntar ao seu fisioterapeuta se há algum produto que sirva para você.
Vale a pena adaptar a casa
Se há um canto ou uma porta da sua casa em que você sempre trava, dá para colar fita colorida no chão e usá-la como sinal visual. Ter um alvo à vista facilita voltar a andar. Ao contrário, os tapetes com desenhos carregados ou cores de muito contraste podem parecer uma mudança brusca do piso e chegar a provocar o bloqueio, então nos trajetos que você usa todo dia convém tirá-los ou trocá-los por um piso liso e antiderrapante. Manter boa luz nos espaços por onde você passa sempre — corredores, escadas, o banheiro — também ajuda.
Está muito ligado às quedas
Relata-se que cerca de 40 % das pessoas com Parkinson passam por bloqueio da marcha e que, entre as que têm, mais da metade tinha caído nos seis meses anteriores — bem mais do que entre as que não travam (cerca de 20 %). Na verdade, viu-se que uma parte importante das quedas no Parkinson está relacionada ao bloqueio. Quando travar, em vez de forçar a saída com pressa, resolver com calma seguindo as dicas acima é na verdade mais seguro. Se você trava com frequência, ou se isso já provocou uma queda, vale a pena consultar a sua equipe de saúde sobre a necessidade de ajustar o medicamento, e pedir um encaminhamento para um fisioterapeuta para aprender técnicas de treino concretas.
Este artigo não substitui um diagnóstico nem um tratamento médico. Se você trava com frequência, ou se as quedas preocupam você, converse com a sua equipe de saúde.


