A doença de Parkinson é uma doença progressiva do cérebro que se desenvolve à medida que se perdem aos poucos os neurônios que fabricam uma substância chamada dopamina. A dopamina é o que permite ao corpo se mover com suavidade, então, conforme essas células desaparecem, começam a aparecer sintomas como o tremor e a lentidão de movimentos. «Progressiva» quer dizer que os sintomas não chegam todos de uma vez: eles vão se construindo devagar, ao longo de anos.
O que acontece no cérebro
As células que fabricam dopamina estão no fundo do cérebro, numa região chamada substância negraA região do cérebro onde se concentram os neurônios produtores de dopamina. No Parkinson, as células dessa região vão se perdendo.Saiba mais. O trabalho dela é abastecer de dopamina os gânglios da baseO circuito cerebral que controla o movimento. Depende da dopamina que chega da substância negra para que o movimento seja suave.Saiba mais, o circuito que mantém os movimentos suaves e coordenados. À medida que essas células se perdem, esse circuito já não consegue regular bem o movimento.
Algo que vale a pena saber: os sintomas motores normalmente só ficam perceptíveis depois de já terem sido perdidos ou danificados entre 60 % e 80 % dos neurônios da substância negra. Dito de outro modo, o processo está em marcha há muito tempo, em silêncio, antes de aparecer o primeiro tremor. Por que essas células se perdem, para começar, ainda não é totalmente compreendido.
Quão frequente ela é
Estima-se que mais de 10 milhões de pessoas no mundo vivam com doença de Parkinson. Os números por país variam bastante conforme a forma de contar os casos, então convém olhar os dados do seu próprio país antes de uma média mundial.
A idade é o principal fator de risco: a probabilidade de desenvolvê-la aumenta com os anos. Dito isso, ela não é só uma doença da velhice: estima-se que 4 % das pessoas com Parkinson sejam diagnosticadas antes dos 50 anos, o que se conhece como Parkinson de início precoce. Os homens têm cerca de 1,5 vez mais probabilidade de ter Parkinson do que as mulheres.
Como é feito o diagnóstico
Não existe um único exame de sangue nem um exame de imagem que confirme a doença de Parkinson. O neurologista faz uma história cuidadosa — os seus sintomas, os medicamentos que você toma, o seu histórico familiar — e examina como você se move, a sua força muscular, a sua marcha e o seu equilíbrio. O diagnóstico surge de juntar tudo isso. O requisito central é a bradicinesiaUma lentidão geral do movimento. É o sintoma motor característico da doença de Parkinson.Saiba mais (lentidão de movimentos) junto com pelo menos um dos seguintes: tremor em repouso, rigidezEndurecimento dos membros, um dos principais sintomas motores da doença de Parkinson.Saiba mais, ou problemas de equilíbrio.
Quando o quadro não está claro, o médico pode acrescentar exames de apoio: um DaTscanUm exame de medicina nuclear que mostra a função da dopamina no cérebro. Um resultado negativo não descarta por completo a doença de Parkinson.Saiba mais, que mostra a função da dopamina no cérebro, ou um teste Syn-OneUm teste sobre uma amostra pequena de pele que procura alfa-sinucleína fosforilada, uma proteína ligada à doença de Parkinson.Saiba mais, que examina uma amostra pequena de pele em busca de uma proteína específica. Também podem ser usadas ressonâncias magnéticas e exames de sangue, sobretudo para descartar outras doenças.
Como são os sintomas
Os sintomas mais conhecidos são os motores: tremor nas mãos, lentidão de movimentos (bradicinesia) e rigidez nos membros. Mas também há sintomas não motores — problemas para dormir, prisão de ventre, humor baixo — e, como são muito menos conhecidos, as pessoas muitas vezes não os relacionam com o Parkinson. O nosso resumo dos sintomas os percorre em detalhe.

De onde vem o nome
O nome remonta a 1817, quando o médico inglês James Parkinson observou seis pessoas e escreveu a primeira descrição detalhada da doença, à qual chamou «a paralisia agitante». O sobrenome dele ficou depois ligado à doença, e assim ela se tornou a doença de Parkinson que conhecemos hoje. Dois séculos de pesquisa depois, ainda não há cura.
O que você pode fazer agora
Ainda não há cura, mas o medicamento e o exercício constante permitem que muitas pessoas manejem os sintomas e sigam com a vida diária. A velocidade com que ela avança, e que sintomas aparecem, muda de uma pessoa para outra — e por isso manter contato regular com a sua equipe de saúde, e encontrar o que funciona para você, importa mais do que qualquer regra geral.
Este artigo não substitui um diagnóstico nem um tratamento médico. Se você tiver dúvidas sobre os seus sintomas ou o seu diagnóstico, converse com a sua equipe de saúde.


